Estou para escrever há algum tempo sobre o que considero o melhor filme de ação de todos os tempos: Duro de Matar (Die hard, 1988), com Bruce Willis. Dica: se você achar por aí para vender, pode me mandar de presente :)
E não sou só eu que o considero o melhor. A revista Newsweek o colocou no topo de sua lista de filmes de ação em uma edição de junho de 2007, praticamente vinte anos depois do lançamento do filme, e apenas algumas semanas antes do lançamento da quarta seqüência, Live Free or Die Hard. Em segundo lugar vem outro favorito meu, Alien, e em terceiro Os Caçadores da Arca Perdida. Lista bem-feita!
Mas e o quê, afinal, Duro de Matar tem de tão espetacular?
Os personagens
Primeiro, os personagens. Tem John McClane. Um dos melhores personagens da carreira de Willis, e o melhor policial das telonas (sim, melhor que Axel Foley, sem discussão em relação a isso). O apelo de McClane está no fato dele simplesmente estar no lugar certo na hora errada. O que, óbvio, não é nada bom para Gruber e sua trupe de terroristas.
Depois, o próprio Gruber. Fantástico papel de Alan Rickman (que você deve lembrar como o xerife de Nottingham em Hobin Hood, ou como Professor Severo Snape em Harry Potter). Um vilão de classe, tem-se que dizer. Gruber e seus comparsas formam um time de primeira, que sabe o que está fazendo. Sabem como negociar com a polícia, sabem os protocolos do FBI. Enfim, estão no comando.
Temos o sargento Al Powel, que é um guarda comum, que também aparece meio sem-querer na história. E o motorista da limusine. E a ex-mulher de McClane, Moly. E o apresentador de TV, e o amigo de Moly. Todos personagens que vão sendo apresentados no decorrer do filme, mas que não deixam, por isso, de ter suas vidas e histórias muito bem explicadas e encaixadas na trama. Até mesmo os bandidos têm suas ligações, sendo mais que meros badguys.
A trama
Willis é John McClane, um policial de Nova Iorque que vai, no Natal, para Los Angeles visitar os filhos que moram com a ex-esposa na cidade. Moly Genaro trabalha para a Nakatomi Corp, que está dando sua festa de fim de ano no recém-construído Nakatomi Plaza. E é no Nakatomi Plaza que John vai encontrar Moly, já que ele chega na véspera de natal. E é no Nakatomi Plaza que John vai encarar um grupo terrorista encabeçado por Hans Gruber, que sequestra todo o 30º andar. Obviamente que McClane vai fazer de tudo para acabar com a festa dos bandidões.
Porém, à primeira vista, tudo isso pode parecer mais um filme à lá Rambo ou Steven Seagall. Mas não é. McClane não é invencível. Ele não entra em uma sala cheia de bandidos atirando e gritando “Moooorram!”, sem ser atingido por nenhuma bala. Ele não tem um arsenal de armas à sua disposição, e nem é um mestre das artes marciais. Ele é um policial comum, em uma situação incomum. E a única maneira dele sair vivo dessa situação incomum é utilizando seu cérebro.
Em momento algum ele tenta resolver a situação por si mesmo, apesar de muitas vezes ver-se obrigado a fazê-lo. McClane não queria estar ali, e ele não queria ter que lidar com isso, como deixa claro algumas vezes durante a película. Isso leva a história a soluções bastante criativas, como quando John vê, do prédio, um carro de polícia aproximando-se do edifício, e não possui nenhuma maneira de entrar em contato com o policial. Sua maneira de resolver o problema é ótima.
Trilha sonora
A trilha sonora é outro ponto forte no filme. Note que ela só aparece na cena onde o próprio Hans Gruber mostra as caras. Antes disso, apenas trilha sonora incidental, como músicas no rádio e canções de natal na festa. Só depois que Hans aparece é que a coisa fica séria e aí a trilha acompanha.
E nem preciso falar que ‘Let it Snow‘ está profundamente associada a Duro de Matar nas entranhas do meu subconsciente.
Duro de Matar é um daqueles filmes que me fazem pensar que sim, o ser humano tem capacidade de fazer coisas criativas. E isso me dá força para correr atrás dessa energia criativa em mim mesmo.
Yippee Ki Yay, motherfucker!
